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Amanhã
Não ter você amanhã é repassar todos os filmes eróticos do fundo da estante sem mudar de canal apressadamente. Depois adormecer livre no sofá, na frente da televisão. Não ver você amanhã é usar os dois lados do guarda-roupa, encher de revistas a gaveta de calcinhas e não consertar o chuveiro frio no inverno, ou nem mais inverno existir. Amanhã, não ter você, é desejar a moça do primeiro andar sem desviar os olhos com culpa de ladrão. Dormir até mais tarde e almoçar às quatro, e nunca mais lavar pratos. Permitir que o cheiro de comida enlatada contamine o ar da sala impunemente. Amanhã, não ver você, é escolher uma mulher na esquina, pelo cheiro ou pela cor. Pagar pelo sexo fast-food pra não dizer mais nada, nem mais olhar nos olhos. Não ter você amanhã é arrastar uma sombra pelas ruas e fugir das réstias de sol. Ou nem mais sol existir.
Escrito por Jairo Oliveira Ramos às 01h57
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